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Prémio Maria Cândida da Cunha

O Instituto Nacional para a Reabilitação promove anualmente a atribuição do Prémio para as Ciências Sociais e Humanas - "Maria Cândida da Cunha", com o propósito de sensibilizar as universidades, os/as estudantes dos graus de ensino superior de Mestrado e Doutoramento e a comunidade académica em geral, na área das ciências sociais e humanas, para a produção de trabalhos académicos e desenvolvimento do conhecimento sobre deficiência e reabilitação.


PRÉMIO 2017


Vencedor | Daniel Neves da Costa

O Touro que nos puseram na arena. Ou: O Desdobrar das Fronteiras nos Interstícios da Palavra. Gaguez, ciência e Comunidades de Responsabilidades

Tese de Doutoramento em Governação, conhecimento e Inovação, apresentada à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
Usando a gaguez como estudo de caso, este trabalho demonstra como se pode potenciar uma cultura de inclusão e emancipação na deficiência, a criação de conhecimento que desconstrua situações de estigma e descriminação e o desenvolvimento de ativismo científico e terapêutico através da criação de dispositivos de indagação e reflexão coletiva entre pessoas com gaguez, familiares, cuidadores, terapeutas da fala, professores, estudantes e outros profissionais. Este diálogo entre conhecimentos e práticas de conhecimento (tanto científico, profissional como experiencial), que emerge das dinâmicas de indagação fomentadas, permite a desconstrução da posição de subalternidade em que as pessoas com deficiência usualmente se encontram e iniciar um processo de empoderamento cívico, epistémico e político, tanto individual como coletivo e de produção de conhecimento e práticas de cuidado de saúde, que pode ser replicado em outros grupos e comunidades.



  1ª Menção Honrosa | Inês Leandro Nuno da Silva Borges Albino

Inclusão, transições e matemática: Dois estudos de caso sobre os percursos académicos de dois estudantes surdos

Tese de Doutoramento em Ciências da Educação

Trabalho sobre oito anos de investigação, em que acompanhou a transição de alunos surdos do ensino secundário para o ensino superior entre 2008/2009 e 2015/2016. A legislação nacional atual define os apoios, adaptações e direitos dos estudantes com necessidade de apoios educativos e sociais especializados até a conclusão do ensino secundário, incluindo a realização de exames finais nacionais. Está ainda regulamentada a possibilidades destes estudantes acederem ao ensino superior incluídos em contingentes especiais de vagas. Contudo, no ensino superior existe uma lacuna de legislação nacional, que deixa estes estudantes à mercê da eventual existência de regulamentação interna nas universidades e originando grandes disparidades entre estas. Este estudo ilumina o profundo desfasamento entre os direitos, adequações e apoios encontrados nestes dois níveis de ensino e identifica os passos para a construção de um ensino superior mais justo e equitativo para os estudantes surdos.

 

2ª Menção Honrosa |Maria João Santos Grego Esteves

A avaliação do estado de saúde oral de deficientes profundos institucionalizados

Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Dentária

Estudo sobre o estado de saúde oral de uma população com deficiência intelectual profunda, institucionalizada num Centro de Apoio a Deficientes Profundos, no Alentejo. Dada a sua incapacidade física e mental, a sua higiene oral fica a cargo de cuidadores. Sabe-se que o número de indivíduos com deficiência que vivem em comunidade e que necessitam de tratamentos dentários tem aumentado drasticamente. A cárie dentária é a doença mais prevalente entre as crianças com deficiência cognitiva e o tratamento dentário é a maior necessidade de saúde de pessoas com deficiência, podendo diminuir a sua qualidade de vida e gerar complicações no seu estado de saúde geral. Provavelmente devido a vários outros problemas de saúde geral, a saúde oral não é percecionada pelos cuidadores de pessoas com deficiência profunda como uma parte essencial da saúde geral e estima-se que mais de dois terços da população com deficiência não receba nenhum acompanhamento ao nível da saúde oral.

Este estudo abrangeu 66 pessoas com deficiência profunda, ou seja toda a população institucionalizada e além da avaliação do estado de saúde oral e características demográficas, hábitos de higiene oral, tipo de alimentação e capacidade funcional para a higiene oral, permitiu determinar quais os fatores associados ao estado de saúde oral desta população e afirmar a necessidade de implementação de programas de promoção de saúde oral especialmente dirigidos a esta população.

 

Última actualização: Terça-Feira, 12 Dezembro de 2017