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Planeamento Centrado na Pessoa em destaque em encontro internacional organizado pelo Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P.

Updated : 17/12/2025

Auditório com várias filas de cadeiras azuis ocupadas por pessoas sentadas. Algumas seguram telemóveis ou blocos de notas. No fundo, há uma porta dupla de madeira clara e, perto dela, algumas pessoas estão de pé. As paredes são revestidas com painéis claros.

O Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. (INR, I.P.) realizou, no passado dia 19 de novembro de 2025, no Auditório do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), em Xabregas, Lisboa, o Encontro Técnico-Científico subordinado ao tema “A Centralidade da Pessoa no Paradigma dos Direitos Humanos”.

A iniciativa contou com a parceria do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos (ISCSP – Universidade de Lisboa), do Núcleo de Estudos da Deficiência do ISCTE e da ASSOL – Associação de Solidariedade Social de Lafões, entidades com trabalho reconhecido nas áreas da deficiência e dos direitos humanos.

O encontro reuniu oradores nacionais e internacionais que partilharam conhecimento científico, práticas profissionais e testemunhos na primeira pessoa, reforçando o compromisso coletivo com a construção de políticas públicas e práticas que promovam a inclusão e os direitos das Pessoas com deficiência ou incapacidade.

A abertura da sessão esteve a cargo de Sónia Esperto, Presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P. Os trabalhos continuaram com a palestra de Jack Pearpoint, que se debruçou sobre o significado d’A Centralidade da Pessoa e do Planeamento Centrado na Pessoa, partindo dos métodos MAPS (McGill Action Planning System) e o PATH (Planning Alternative Tomorrows with Hope), de cuja criação fez parte. O autor destacou como estas metodologias ajudam a construir comunidades inclusivas, valorizando os sonhos das pessoas, reconhecendo as suas capacidades e promovendo relações significativas. O propósito é combater a solidão e exclusão, semeando possibilidades e apoiando cada pessoa a contribuir e pertencer plenamente à sociedade.

O primeiro painel contou com Mário Pereira, da ASSOL, que destacou o papel do planeamento individualizado na definição de percursos de vida para adultos com deficiência. Destacou ainda o papel dos profissionais como facilitadores e mobilizadores de recursos, promovendo soluções personalizadas e a participação plena da pessoa na comunidade e no emprego.

Seguiu-se a intervenção de Paula Santos, da Universidade de Aveiro, que apresentou iniciativas de inclusão no ensino superior dirigidas a estudantes com dificuldades intelectuais e do desenvolvimento, como o InclUA e o programa PIEM. Os projetos demonstram o impacto positivo de abordagens inovadoras e da colaboração institucional na promoção da aprendizagem, participação cívica e empregabilidade.

A palestra inicial e o primeiro painel foram organizados e dinamizados por Sofia Simões Ferreira, Diretora Executiva da ASSOL.

A sessão da tarde iniciou-se com a intervenção de Patrícia Neca, do Observatório da Deficiência e Direitos Humanos, que moderou o painel dedicado às lições retiradas de práticas nacionais e internacionais. Eduarda Sousa Pires, do Centro de Administração e Políticas Públicas da Universidade de Lisboa, e Jan Šiška, Professor na Charles University (Praga) e na Minnesota University (EUA), defenderam a necessidade de recorrer à recolha de dados robustos para suportar políticas inclusivas. Partilharam ainda experiências bem-sucedidas na transição para a vida adulta, no emprego inclusivo e na cooperação entre academia, serviços e decisores políticos.

O último painel reuniu Joana Morais e Castro (Universidade Católica do Porto), José Miguel Nogueira (ISCTE), Sandra Marques (Inclusion Europe) e Liliana Sintra (Câmara Municipal de Cascais) - sob a batuta de Luís Capucha, do Núcleo de Estudos da Deficiência do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa - para debater os desafios na implementação de políticas públicas verdadeiramente orientadas para as necessidades individuais. As intervenções destacaram a relevância da coordenação interinstitucional, da descentralização e da avaliação de impacto, bem como da participação ativa das próprias pessoas com deficiência. Entre as recomendações apresentadas, salientaram-se o reforço de parcerias, a capacitação técnica e a criação de mecanismos de monitorização eficazes.

O Encontro Técnico-Científico - encerrado pela Vice-Presidente do Conselho Diretivo do INR, I.P., Marina Van Zeller - reafirmou o compromisso coletivo de promover políticas e práticas que garantam a plena participação das pessoas com deficiência na sociedade. Ao longo do dia, ficou evidente a importância da colaboração entre instituições, da produção de conhecimento rigoroso e da valorização das próprias pessoas como protagonistas das suas vidas. A iniciativa reforçou a necessidade de continuar a investir em modelos de intervenção inclusivos e em estratégias que assegurem que os direitos humanos são, efetivamente, uma realidade para todos.